domingo, 9 de novembro de 2008
Votação Final do Público
1 — Under The Bombs, de Philippe Aractingi, 4,71
2 — Voyage in G Major, de Georgi Lazarevski, 4,43
3 — Offside, de Jafar Panahi, 4,39
4 — O Adeus à Brisa, de Possidónio Cachapa, 4,12
5 — Bab Sebta, de Pedro Pinho e Frederico Lobo, 4,07
sábado, 8 de novembro de 2008
Não basta querer ganhar, é preciso o empate
As mulheres também gostam de futebol. Mas, no Irão, não podem ir ao estádio. E querem. Joana Amaral Dias esteve ontem em Portimão e acredita que «o fanatismo do machismo ainda consegue ultrapassar o do futebol». Lembremos isto: «o cinema deu um péssimo contributo para a emancipação da mulher», inúmeras vezes retratada como objecto, tanto sexual como decorativo. Convidada para comentar Offside, de Jafar Panahi, que expõe uma realidade específica das desigualdades de género no Irão – as adeptas de futebol estão proibidas de assistir aos jogos –, Joana Amaral Dias, feminista militante, não deixou a fuga eclipsar a norma.
Seria o alvo da laracha a indústria norte-americana? Não. A psicóloga e ex-deputada do BE à Assembleia da República afirmou mesmo que guarda algumas reservas no que diz respeito a cinema de autor. O problema, disse, é transversal. Mas do filme exibido ontem, no Museu de Portimão, ficou com boa impressão. Relevou o humor com que Panahi trata assunto tão delicado, não caindo em estereótipos, e o resultado, analisou, «não é nada maniqueísta», como tantas vezes acontece.
A selecção iraniana está a jogar com o Bahrain. Vale o apuramento para o Mundial de 2006. Um empate basta para a qualificação. As mulheres iranianas estão proibidas de assistir ao jogo no estádio. Mas, ainda assim, a paixão pela bola fala mais alto e algumas atrevem-se. Descobertas, o jogo passa a ser outro – o das mulheres, urbanas, informadas, contra os militares, rurais, acéfalos, que nem sabem a razão da interdição. Mas, mais uma vez, também o empate basta para a vitória. A igualdade é um empate.
Uma coisa é certa: «o fanatismo do machismo ainda consegue ultrapassar o fanatismo do futebol». O papel social que o regime político de Teerão dá à religião dá uma ajuda. Os soldados limitam-se a cumprir ordens. As mulheres, adeptas, arquitectam «diálogos quase socráticos», desarmando-lhes a argumentação. A acção do filme, repara Joana Amaral Dias, «é todo passado em espaços claustrofóbicos». Pergunta: «Não sendo suficiente o gosto comum pelo futebol, será o nacionalismo a ponte necessária para juntar duas partes desavindas?» Em Offside pode parecer que sim; Joana Amaral Dias espera não, que outros valores desempenham essa função.
Quem não cumpre ordens é o realizador Jafar Panahi, que, sendo proibido de filmar este argumento no Irão, o fez à mesma, escondido, fingindo que se tratava de outro filme. «É a mesma estratégia das raparigas», observou Joana Amaral Dias – «a camuflagem para passar entre os pingos da chuva».
[Texto publicado em Rascunho.net]
Votação do Público
1 — Voyage in G Major, de Georgi Lazarevski, 4,43
2 — Offside, de Jafar Panahi, 4,39
3 — O Adeus à Brisa, de Possidónio Cachapa, 4,12
4 — Jellyfish, de Etgar Keret e Shira Geffen, 3,80
5 — My Marlon and Brando, de Hüseyin Karabey, 3,78
6 — WWW – What a Wonderful World, de Faouzi Bensaidi, 3,68
7 — As The Sun Begins To Set, de Julie Moggan, 3,37
8 — Yo, de Rafa Cortés, 3,33
9 — Taxi Wala, de Lola Frederich, 2,93
A escala, relembro, é de 1 a 5, sendo que o valor mais elevado corresponde à pontuação máxima.
Visões do Sul na blogosfera (II)
1 — João Bárbara. Visões do Sul em Portimão;
2 — O café dos loucos. Visões do Sul;
3 — SadeNAMarquise. Visões do Sul: «Agradável e interessante surpresa o filme de Jafar Panahi e o comentário e visão da convidada Joana Amaral Dias.»